Melancholy/Melancolia

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Melancholy, Presence of Absence

EN/   Melancholy

Today is World Mental Health Day, so I decided to contribute to the Awareness week by posting a project I developed at university in 2014. It was the first week of Year 2, Semester 2 and we had to get into groups depending on the subjects we would work on to create a photography artefact to be exhibited in a gallery. I wanted to work on something related to the fading of time, passage or memory somehow. That was when some students approached with their initial ideas of working with family and loss. At first I felt I wouldn’t fit into the group, and that I didn’t wanted to work with such tense subject, but then realised it could be related to the feeling I had about time, more or less related to family, generations and loss that are always present  in a way in my life.

Analysing this I noticed that I could work on something I have been thinking about a lot in that past months, which is the fact that I am melancholic and through the years I felt it in different ways and have to deal with a contrast of feeling it brings me. For these past months I read a lot on this state of mind/being, before deciding working on it for a photography project, which helped me to understand how I feel it, making me see it in a good inspirational way, as part of the person I am.

There is no reason to feel melancholic, but once I feel it, it is like being drag back to things in the past that can never come back, or simply the fact that in the present I am having either good or bad time, and can´t be with people I used to, loved ones that are far away and neither I can be part of their life totally and neither they can be present on mine. Due to leaving my country in the age when you get your best friends, moving around many times and not being able visit them and family members also, always have this melancholic feeling. This made the exhibition called “Presence of Absence”.

I decided to read more about this to be able to develop my project, looking at Ancient Greek and Roman Mythologies which I have always been interested on and that have a peculiar view on this subject. Mourning and Melancholia by Sigmund Freud, which was complex to read but helped me a lot to see specially the differences and similarities between these two feelings that our theme involves. I noticed that like me other people see it in good and bad way, sometimes choosing only one side of it, but in my case I deal with both and think both are important to live so that I develop myself as a person and end up having something constructive from it.

The set of photographs is portraying in an abstract way the state of mind of Melancholia with similarities and differences to the loss/mourning feeling. The fear of loss and constant knowledge of the existing or future absence from someone’s life is present on my life and having to deal with it inside is what inspired to produce the work. Approaching the different ways this feeling gets personally manifested, I interpreted them making emotion visual by using distinctive medium and tones: one brutal & extremist (using medium format camera with B&W film) and other inspirational & poetic (photographing digitally and in colour).

See the project on my Fickr album, Presence of Absence


Here are some research I did and reading suggestion on the theme:

“The melancholic in contrary of someone who tries to hide their weaknesses, find through an extremely self critical behaviour, a profound self knowledge.”  Freud

Theories before the Renaissance, linked Saturn and melancholia.

Ancient Greek and Roman Mythologies

The Romans identified Saturn with the Greek Cronus, whose myths were adapted for Latin literature and Roman art. In particular, Cronus’s role in the genealogy of the Greek gods was transferred to Saturn.

Saturnalia festival in the Roman calendar led to his association with concepts of time, especially the temporal transition of the New Year. In the Greek tradition, Cronus was often conflated with Chronus, “Time,” and his devouring of his children taken as an allegory for the passing of generations. The sickle or scythe of Father Time is a remnant of the agricultural implement of Cronus/Saturn, and his aged appearance represents the waning of the old year with the birth of the new.

Saturn in Astrology

Saturn takes rulership of the signs that govern midwinter, like Capricorn. Therefore governs the melancholic temperament in these individuals. The colours of Saturn are those that want for the vibrancy of additional hues, being typically dark and black (Saturn’s contact can add an element of darkness to other colours), white and pale, or a grey, ashy colour. They do not display their emotions easily, but their emotions, like their imaginations, can be profound. Such individuals are observably deep, sincere, and generally gather respect.

Walter Benjamin on Origine du Drame Baroque Allemand
The influence of Saturn makes people “apathetic, indecisive, slow”
“ I came into this world under the star of Saturn- the star of the slowest revolution, the planet of detours and delays…”

Susan Sontag on “Under the Sign of Saturn”:
“Slowness is one characteristic of the melancholic temperament”

Victor Hugo “Melancholy is the happiness of being sad.”

“Saturn and Melancholia” Authors: Klibansky, Panofsky and Saxl
“The planet Saturn commanded the days in which human’s vital energy would get minimized, turning them almost infertile.”

Pictorialism symbols: hand holding head, Durer painting

Lars von Trier’s film, Melancholia

Literature, W.S. Sebald “Rings of Saturn”

Italo Calvino “Melancholy is sadness that has taken on lightness.”

Aristotle explained brilliance of mind and the exceptionality of great men in literature, politics, philosophy and the arts in terms of melancholy, that all those who have become eminent in philosophy or politics or poetry or the arts are clearly melancholics.

Freud, “The melancholic in contrary of someone who tries to hide their weaknesses, find through an extremely self critical behaviour, a profound self knowledge.”


PT/    Melancolia

Hoje é o Dia Mundial da Saúde Mental, então eu decidi contribuir para a semana de consciência postando um projeto que eu desenvolvi na faculdade em 2014. Foi a primeira semana do segundo ano, no segundo semestre e tivemos que entrar em grupos, dependendo dos assuntos que iriámos trabalhar e criar um artefato fotográfico para ser exposto em uma galeria. Eu queria trabalhar em algo relacionado com o passar do tempo, mudanças ou com memória de alguma forma. Foi quando alguns alunos se aproximaram com as suas idéias iniciais de trabalhar com os temas, família e perda/luto. No começo eu senti que eu não iria me encaixar no grupo, e que eu não queria trabalhar com um assunto tão tenso, mas depois percebi que esses temas poderiam estar relacionado com o tempo, mais ou menos relacionadas à família, gerações e perda que estão sempre de uma forma na minha vida.

Analizando isso eu percebi que eu poderia trabalhar com algo que eu estive pensando sobre muito naqueles últimos meses, que é o fato de eu ser melancólica e ao longo dos anos eu senti isso de maneiras diferentes, tenho que lidar com um contraste de sentimentos que isso traz. Durante aqueles últimos meses eu li muito sobre esse estado de espírito /ser, antes de decidir em trabalhar nele para um projeto fotográfico, o que me ajudou a entender como eu me sinto, fazendo-me ver isso de uma boa forma, mais inspiradora, como parte da pessoa que eu sou.

Não há nenhuma razão para se sentir melancólica, mas uma vez que eu sinto, é como estar sendo arrastada de volta para as coisas no passado que nunca poderão voltar, ou simplesmente o fato de que no presente eu estou tendo um momento bom ou ruim, não poder estar com as pessoas que eu costumava, entes queridos que estão longe e não poder ser parte de suas vidas totalmente e nem poderem estar presentes na minha como eu gostaria. Devido a deixar o meu país na época que você começa a fazer seus melhores amigos, e não podendo visitá-los e membros da família também, me mudando muitas vezes, sempre tenho essa sensação melancólica. E assim se formou a exposição chamada “Presence of Absence” ou “Presença da Ausência”.

Eu decidi ler mais sobre isso para poder desenvolver o meu projeto, como a Grécia Antiga e Mitologias Romanas, que eu sempre me interessei, e que têm uma visão peculiar sobre o assunto. “Luto e Melancolia” por Sigmund Freud, que foi complexo de ler, mas me ajudou muito a ver especialmente as diferenças e semelhanças entre esses dois sentimentos que o nosso tema envolve. Notei que como eu outras pessoas vêem o lado bom e ruim, por vezes, escolhendo apenas um dos lados, mas no meu caso eu quis lidar com ambos e acho que ambos são importantes para que eu desenvolver meu modo de viver e como pessoa, e ter algo construtivo à partir disso.

O conjunto de fotografias retrata de uma forma abstrata o estado de espírito de Melancolia com semelhanças e diferenças para/com o sentimento de perda/luto. O medo da perda e o conhecimento constante da ausência existente ou futura da vida de alguém está presente em minha vida e ter que lidar com isso por dentro é o que inspirou para produzir o trabalho. Aproximar as diferentes maneiras que esse sentimento se manifesta pessoalmente, eu interpretei-los transformando esse sentimento em imagem, utilizando meios distintos de mídia e tons: um brutal e extrema (usando camera de médio formato e filme preto&branco) e outro inspirador e poético (fotografando digitalmente e em cores).

Veja o projeto no meu álbum Fickr, Presence of Absence.

“O melancólico em contrário de alguém que tenta esconder suas fraquezas, encontrar através de um comportamento extremamente auto crítica, uma auto conhecimento profundo.” Freud

Aqui estão algumas pesquisas que fiz e sugestão de leitura sobre o tema:

“Saturno e Melancolia” dos autores: Klibansky, Panofsky e Saxl dizem que “O planeta Saturno ordenou aos dias em que a energia vital do ser humano iria ficar minimizada, transformando-os quase infértil.”

Mitologias Grega e Romana
Os romanos identificam Saturn com o deus grego Cronus, cujo mitos foram adaptados para a literatura latina e arte romana. Em particular, o papel de Cronus na genealogia dos deuses gregos foi transferido para Saturno.

Festival Saturnalia no calendário romano levou à sua associação com conceitos de tempo, especialmente a transição temporal do Ano Novo.

Na tradição grega, Cronos foi muitas vezes confundida com Chronus, “Tempo”, devorador de seus filhos tomado como uma alegoria para a passagem das gerações. A foice ou a foice do Pai do Tempo é um resquício do implemento agrícola de Cronos / Saturno, e sua aparência envelhecida representa o declínio do ano velho com o nascimento do novo.

Saturno em Astrologia

Saturno tem regência dos signos que regem pleno inverno, como Capricórnio. Portanto governa o temperamento melancólico nestes indivíduos. As cores de Saturno são tipicamente tons escuros e preto (o contato com Saturno pode adicionar um elemento de escuridão para outras cores), branco e pálido, ou, cinza e acinzentados. Eles não mostraram suas emoções facilmente, mas suas emoções, como a sua imaginação, podem ser profundas. Tais indivíduos são visivelmente profundos, sinceros, e geralmente ganham respeito.

Walter Benjamin em “Origine du Drama Barroco Allemand”:
A influência de Saturno faz as pessoas “apáticas, indecisas, lentas”.
“Eu vim a este mundo sob a estrela de Saturno a estrela da revolução mais lenta, o planeta de desvios e atrasos …”

Susan Sontag em “Sob o Signo de Saturno”: “Lentidão é uma característica do temperamento melancólico”

Filme de Lars von Trier, Melancholia.

Victor Hugo, “A melancolia é a felicidade de ser triste.”

Nas teorias antes do Renascimento, ligada Saturno e melancolia.

Símbolo do pictorialismo: mão segurando a cabeça, como a pintura Durer

Na literatura, W.S. Sebald “Anéis de Saturno”

Italo Calvino, “Melancolia é tristeza que tomou em leveza.”

Aristóteles explicou que o brilhantismo da mente e da excepcionalidade dos grandes homens da literatura, política, filosofia e das artes em termos de melancolia, que todos aqueles que se tornaram eminente em filosofia ou política ou poesia ou as artes são claramente melancólicos.

Freud, “O melancólico em contrário de alguém que tenta esconder suas fraquezas, encontrar através de um comportamento extremamente auto crítica, uma auto-conhecimento profundo.”

“Estrambote Melancólico”, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Tenho saudade de mim mesmo,
saudade sob aparência de remorso,
de tanto que não fui, a sós, a esmo,
e de minha alta ausência em meu redor.

Tenho horror, tenho pena de mim mesmo
e tenho muitos outros sentimentos
violentos. Mas se esquivam no inventário,
e meu amor é triste como é vário,
e sendo vário é um só.

Tenho carinho por toda perda minha na corrente
que de mortos a vivos me carreia
e a mortos restitui o que era deles
mas em mim se guardava. A estrela-d’alva
penetra longamente seu espinho

(e cinco espinhos são) na minha mão.

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2 thoughts on “Melancholy/Melancolia

  1. Pingback: Exhibition: “Memento” at Open Arts Café | It is p e c u l i a r

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